Review – Doubt, pela JBC

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Uma análise sobre o mais novo survival game da editora JBC.

No Anime Friends deste ano a JBC anunciou em sua palestra a publicação do mangá Doubt. Um título que eu já tinha interesse em ler há algum tempo. Doubt foi publicado entre 2007 e 2010 na Shonen GanGan (mesma revista de Fullmetal Alchemist) da Square Enix. É de autoria do mangaká Tonogai Yoshiki e teve um total de quatro volumes encadernados. Além do Brasil, o título já foi publicado na França, na Finlândia, na Polônia e nos Estados Unidos.

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O mangá é um shounen de mistério, horror, drama, tragédia e psicológico. Em 2011 o autor começou a publicação de Judge, que é considerado uma sequela de Doubt. Ao todo foram 6 volumes compilados. Atualmente Yoshiki-sensei está publicando Secret desde 2013 também na Shonen GanGan. Todos os mangás são naquele estilo de survival game com bastante mistério e suspense.

A História:

Certo dia, um lobo se disfarçou e infiltrou-se num grupo de coelhos. Durante a noite, enquanto os coelhos dormiam, o lobo mostrava sua real forma e devorava um deles. Dia a dia, um a um, o lobo foi devorando os coelhos. Estes, indiferentes a quem era o “mentiroso”, marcaram uma reunião para decidir qual deles era o lobo e, após a decisão, mataram o julgado. Caso tenham tomado a decisão correta, a vitória era deles, os coelhos. Caso não… o lobo mataria a todos.

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Na trama, seis amigos misteriosamente acordam num local abandonado onde, aparentemente, as regras do jogo para celular Rabbit Doubt – em que os jogadores devem descobrir qual é o “lobo em pele de coelho” antes que ele mate a todos – valem na vida real. Porém, diferente do jogo virtual, o terror vivenciado pelos protagonistas e as mortes são bem verdadeiras…

Como eles foram parar nesse local? Por que estão dentro do jogo de verdade? E o principal, quem é o lobo? São alguns dos mistérios que os seis deverão descobrir em Doubt antes que seja tarde demais.

E é mais ou menos por aí que se centra a história de Doubt, um thriller psicológico com uma narrativa envolvente, cheia de suspense e assassinatos.

Considerações técnicas e opinião:

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Doubt pode não ser nenhuma obra-prima, mas é muito competente no que se propõe. O autor fez um trabalho realmente ótimo e que é muito importante em obras de suspense: a ambientação.

Como todo bom thriller, a tensão aumenta a cada capítulo. Mesmo em pouco tempo, o autor consegue criar ideias no leitor e faz com que ele sinta um misto de emoções, o que é fundamental em suspenses. O bom thriller, em sua essência, baseia-se nas emoções que causa e não tanto em elementos de estrutura narrativa, apesar de Doubt também ter isso como ponto positivo. O objetivo de um thriller é manter a audiência dos leitores para que sempre estejam a espera de que algo muito impactante ocorra na história. O gênero estimula as emoções do leitor, dando a ele um alto nível de antecipação, expectativa, incerteza, surpresa, ansiedade e, por vezes, medo. E podemos dizer que Doubt conseguiu, na medida do possível, fazer tudo isso neste primeiro volume do mangá.

Primeiramente, o mangá consegue necessariamente ter a intenção de despertar excitação e nervosismo nos leitores. Como já foi citado anteriormente, a tensão é um condutor da obra. Estas emoções são mais intensas nos momentos decisivos.

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Em segundo lugar, Doubt consegue, assim como todo ótimo thriller, deixar que todos fiquem sempre em dúvida quanto ao desfecho dos acontecimentos e do destino dos personagens. A ideia é que o leitor crie hipóteses apenas para mudá-las mais tarde, com o curso da história. Isto mantém todos nós imersos no mangá, fator imprescindível para que o leitor atinja o ponto de tensão intendido pelo autor.

Por último, as expectativas criadas devem ser verossímeis, mas falsas. Ou seja, o leitor deve ser levado a acreditar em um fato que parece verdadeiro, mas que depois se mostra enganoso. Assim, ele se mantem sempre incerto, inquieto e ansioso. Neste primeiro volume, apesar de ainda não termos tantos acontecimentos impactantes assim, isso já é um fato bem visível e presente na história. É importante ressaltar, também, outros dois elementos narrativos presentes frequentemente em thriller: o pouco tempo (em geral, contagens regressivas, como nos filmes da franquia Jogos Mortais) e o dispositivo do labirinto. A corrida contra o tempo, nada mais é do que a escassez de tempo que o protagonista tem para chegar à resolução da situação/problema apresentada na história, ou seja, há um prazo. Este prazo pode ser determinado por diversos fatores. No caso de Doubt, eles possuem a ótima ideia dos códigos de barras limitados que podem ser usados apenas uma vez para abrir determinadas portas na tentativa de achar a saída ou de conseguir mais pistas, sem falar do nervosismo que em alguma hora pode fazer alguém perder a razão ou a sanidade mental. Já o dispositivo do labirinto acarreta em uma constante confusão do protagonista, isto é, ele constantemente se perde mentalmente no processo de resolução do problema da obra, o que aumenta sua angústia e a angústia do leitor. E mais uma vez vemos o Yoshiki-sensei se mostrando um grande conhecedor do tema e do terreno que está mexendo, ao observarmos esses mesmos pontos em Doubt.

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Todas essas características, juntas, criam um jogo mental para o personagem principal e, consequentemente, para o leitor. O thriller exige à pessoa que o lê/assiste um raciocínio lógico. Em Doubt, os personagens já sabem no que se meteram. Já sabem as regras do jogo, pois sempre se divertiam com esse game para celular antes. O leitor também já sabe o que aconteceu e as regras do jogo, a tensão fica por conta do modo como os assassinos serão descobertos e o que acontecerá com eles. O que é muito bacana em Doubt, afinal um daqueles personagens que você gosta é o grande cabeça por trás de tudo.

O cenário de Doubt tem um papel de extrema importância na narrativa. O mangá se passa inteiro, pelo menos nesse volume inicial, em um ambiente principal, uma espécie de antigo hospital. O pouco espaço do cenário ajuda a construir o ambiente de tensão da história. Como os personagens ficam quase o tempo todo dentro daquele ambiente pequeno e assustador, cria-se um sentimento de ansiedade de que a qualquer momento alguém pode abrir uma porta ”salvadora” ou de que o assassino possa agir. Ao mesmo tempo, o espaço limitado onde a ação ocorre cria uma tensão baseada na claustrofobia, ainda que existam alguns outros quartos nos quais eles já abriram.

Sendo assim, Doubt é, de fato, perfeito dentro do que se propõe, e consegue explorar ao máximo esses aspectos para fazer uma ambientação maravilhosa e envolver facilmente os leitores, principalmente os fãs do gênero e de survival games, como eu, hahaha. O plot principal pode parecer não tão criativo assim, mas todas as engrenagens que compõem ele tornam tudo muito interessante e digno de um excelente thriller psicológico.

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Nesse primeiro volume pudemos conhecer um pouco dos personagens, mesmo que eles ainda não tenham sido tão explorados assim – e nem sei se serão -, mas já foi o suficiente para conhecermos suas personalidades. Com o passar dos acontecimentos, provavelmente teremos aquelas gratas surpresas de alguns se mostrando ser diferentes do que vinham agindo até então, afinal eles estão lá lutando por suas vidas sob extrema pressão.

Chama atenção o fato do Yuu, o protagonista, aparentemente não ter um código de barras em seu corpo. Isso pode gerar vários desdobramentos, tanto para o lado bom quanto para o lado ruim, em relação a situação do Yuu com os demais. Vai chegar a hora em que não terão mais como abrir portas, daí sim as coisas vão ficar ainda mais tensas entre eles.

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O que mais incomoda – no bom sentido – é que algum deles é, na verdade, o assassino, o lobo disfarçado de coelho. É difícil imaginar quem poderia ser. Mas talvez o mais curioso mesmo seja os motivos por trás de tudo isso. Seria ódio e rancor? Por pura diversão? Levando em conta que o assassino possa ser um psicopata. Especulações não faltam. Ao mesmo tempo que isso dá margem para uma ótima conclusão, também me deixa com receio do final. Já vi gente dizendo que adorou o final e outros dizendo justamente o contrário, hehe.

E se tem uma coisa que eu não gostei e que me deixou revoltado e triste foi o que acabou acontecendo com um dos personagens logo que entraram forçadamente no jogo! Sacanagem aquilo!! T_T

Um detalhe que também é relevante comentar é sobre os traços do autor. Ele desenha de uma maneira meio genérica, mas isso é algo característico dele. Pessoalmente, eu gosto dos desenhos do autor. O enquadramento dos personagens e das cenas é bom e acredito que nada relacionado a arte vai acabar atrapalhando a história.

Edição brasileira:

Nesse ponto tenho que dar os parabéns e tirar o chapéu pra JBC. Novamente eles vieram com esse formato um pouco superior aos da linha comum da editora. Os volumes custam R$13,90, vem com capa e contracapa coloridas, com páginas coloridas e com um papel, acredito eu, pisa bright 52g, assim como o de Hoshi no Samidare (Lúcifer e o Martelo). Esse papel não é 100% preto e branco, mas é de ótima qualidade, com quase nada de transparência e que assegura uma duração muito mais longa que aqueles conhecidos e chamados como ”papel jornal”. As páginas coloridas ficaram muito boas e num papel ainda melhor.

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Capa da edição brasileira à esquerda. Capa da edição japonesa à direita.

A tradução feita pelo Denis ficou muito boa. Tanto os termos como a linguagem encaixaram perfeitamente com o mangá e com o contexto dos personagens, portanto, não tenho nada do que reclamar. A leitura ficou muito agradável e natural. Não demora muito para você terminar de ler o volume. A diagramação ficou legal, mas com alguns textos não tão centralizados assim nos balões. De todo modo, o importante é que não achei nenhum erro de português. Realmente fizeram um ótimo trabalho, com tudo bastante caprichado.

Num primeiro momento, o preço de R$13,90 pode parecer alto, no entanto é bem justo pela qualidade do material. Realmente compensa. Sem falar que ao todo são apenas 4 volumes publicados numa periodicidade mensal, e você ainda pode optar pela opção de assinar o mangá, ganhando 10% de desconto, assim como eu fiz.

E vamos torcer para que Doubt se saia bem, o que aumentaria as chances de pintar Judge (a continuação do mangá) por aqui no Brasil também.

Doubt é mais um título dessa linha de survivals games que a JBC anda investindo ultimamente e que acredito que vale a pena você dar uma conferida. É um boa pedida tanto para aqueles já curtem o gênero como para aqueles recém chegados em obras nessa estilo. Espero que tenham gostado dessa análise e até a próxima!

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Att, Gekkou Hayate

3 comentários em “Review – Doubt, pela JBC

  1. Pingback: Checkpoint – Mangás Brasil | Gekkou Gear

  2. Eu já lido o mangá na net por ai e realmente esse primeiro volume é muito bom, mas junto a ele tem uma queda brusca no desenvolvimento da história, acho que é um mangá legal para quem curte o genero, mas nada especial

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