Primeiras Impressões: Oshi no Ko

Mostrando a podridão da indústria de Idols no Japão.

Novo mangá do autor de Instant Bullet e Kaguya-sama com a autora de Kuzu no Honkai!

Depois de quase um ano estamos aqui de volta com um novo post nesse meu filho chamado Gekkou Gear! Por que a demora milenar para um novo post? Porque a vida é uma loucura! Aconteceram muitas coisas durante esse meio tempo pra mim, tanto ótimas quanto terríveis. Hoje em dia estou morando em Los Angeles, não mais na minha amada Porto Alegre, e quase sem tempo livre.

De todo modo, eu amo escrever e amo mais ainda esse hobby de ler e assistir animangos. Então, inevitavelmente, eu continuarei voltando e escrevendo por aqui. Dessa vez venho com uma ideia nova de coluna no site. Toda semana tentarei postar um post de primeiras impressões/review de um mangá/anime aleatório. Sim, aleatório mesmo. Vou ir no MangaDex ou no MyAnimeList e clicar na opção ”busca aleatória”. O que vier, vou ler/assistir e postar uma análise aqui. É um jeito bem legal de acabar conhecendo algo totalmente diferente e que pode ser incrível. Sim, pode acontecer de eu me deparar com algum lixo, mas daí a gente pula e vai pro próximo, caso não seja interessante de escrever sobre.

Enfim, o sorteado da vez foi um mangá: Oshi no Ko. Escrito pelo mesmo autor do genial Instant Bullet e do maravilhoso Kaguya-sama!. Com a arte feita por outro nome conhecido, a mangaká Yokoyari Mengo, autora de Kuzu no Honkai. Uma dupla muito interessante, serializando um mangá polêmico e em uma revista gigante, a Weekly Young Jump, da Shueisha. O título é um seinen slice of life e se encontra com apenas um volume encadernado publicado até o momento. Estreou esse ano.

A história começa com uma linda garota, seu sorriso perfeitamente falso, e as pessoas que a amam egoisticamente por isso.

O que transparece nos bastidores da brilhante indústria do showbiz? Até onde você iria pelo bem do/da seu/sua amado/amada Idol? O que você faria se descobrisse que a reencarnação é real? A estrela do show é a Aquamarine Hoshino e o palco é apenas uma fachada. Será que ele conseguirá atingir o clímax antes que o mundo do glamour o engula por completo?

Essa é a sinopse da história. Sinceramente, eu não entendi porque na última frase a sinopse se refere a um homem, porque a protagonista, Hoshino, é uma mulher e a Idol que acompanhamos. Enfim, o mangá também possui a manchete e frase na capa do primeiro capítulo com os dizeres de que explorará a história de uma garota na indústria de Idols sob um ponto de vista nunca antes mostrado. Ainda nas primeiras páginas dizem que essa é uma ‘história chocante”. Brincam com o aviso que vemos em todo começo de mangá, quando aparece a famosa mensagem ”esta é uma obra de ficção”. Eles brincam com esse aviso dizendo que o mundo da indústria de Idols é, muitas vezes, uma ficção. Uma mentira. Uma criação nossa. Um exagero nosso. Que ser fã significa querer que sua Idol seja uma boa mentirosa. Basicamente os autores chegaram com o pé na porta.

Até aí tudo bem. Falaram duras verdades pra alguns. Foram bem críticos. Esse começo passa a sensação e esperança de que teremos algo bem interessante, pé no chão e pesado pela frente. Mas, infelizmente, não é bem o caso.

O primeiro capítulo é bacana. Somos apresentados ao suposto protagonista, um médico que perdeu sua jovem paciente para uma doença. Ela era fã de Idols e por conta disso o médico acaba por conhecer e gostar de algumas delas. A vida pacata do protagonista muda completamente quando chega pra ele uma paciente, a outra protagonista da história, a Idol Hoshino – que aparece na sinopse logo acima -, que por sua vez era a Idol favorita do doutor e também da sua paciente que faleceu anos atrás. Ela chega disfarçada, claro. Mas chega também grávida. Uma menina de 16 anos, Idol, dessa indústria que pode ser bem nojenta às vezes, querendo um médico pessoal num lugar pacato para que não fosse reconhecida e pudesse dar prosseguimento na carreira depois. Não se preocupem, não vou ficar dando spoilers do começo. Essa parte da gravidez aparece nas primeiras páginas do capítulo e eu achei importante botar aqui pra dar contexto.

Bom, quando eu vi isso, pensei na hora na possibilidade de os dois autores realmente irem pesado nessa história. Será que eles estavam trazendo algo como uma Idol menor de idade, possivelmente forçada a ter feito sexo para sobreviver nessa indústria, grávida e agora tendo que lidar com isso sozinha? Será que iriam por esse viés pesado, tentar achar o culpado ao mesmo tempo que mostrariam os podres da indústria como haviam prometido no começo do capítulo? Não. Eles decidiram não ir por esse lado. Ao contrário disso, a personagem estava feliz pela gravidez e sem trauma algum, o que provavelmente elimina a hipótese de ter sido forçada a ter a relação sexual que levou à gravidez. O que me deixa aliviado pela personagem, haha. Ainda existiriam vários caminhos interessante e densos de se explorar, mas também não foi muito o caso.

A história pé no chão e que poderia render bastante polêmica pelas críticas sociais à indústria de Idols meio que acaba virando algo tosco, bobinho em alguns momentos. Lembram quando leram na sinopse a palavra ”reencarnação”? Pois é… Não vou continuar nisso porque seria spoiler, mas o desfecho do primeiro capítulo e o começo do segundo são bem bestas. E fica ainda mais tosco quando nascem os filhos da Hoshino. Sim, ela tava grávida de gêmeos, coitada. A história vira meio que uma coisa estranha, sem muita lógica. Eles entram no mundo de reencarnação, com os personagens lembrando das vidas passadas, mas isso se aplica convenientemente apenas aos filhos da protagonista. Todo o resto que morreu e renasceu ali entre os apresentados no mangá não lembram de porra nenhuma. Os gêmeos foram um caso especial. Então temos dois bebês com cabeça de pessoas mais velhas do que crianças. É bizarro e meio creepy. E a tal fala nas primeiras páginas do mangá que dizia ”uma história sob um ponto de vista diferente” agora pode ser interpretado como o ponto de vista pelos olhos dos ”bebês” e não algo referente a um mangá de Idols que mostra a podridão da indústria. Ficou a impressão de que os ”bebês” da Hoshino são quase como câmeras de segurança móveis, mostrando as pessoas escrotas da indústria. Um exemplo: a Hoshino conversa com uma pessoa (outra Idol, uma produtora etc), enquanto os ”bebês” estão no mesmo cômodo. A Hoshino vai no banheiro rapidão e a tal pessoa na qual ela estava conversando começa a falar pra si mesma malzão da protagonista por trás. Só que os ”bebês” estão ali vendo tudo. Seria essa a forma de mostrar a parte obscura da indústria de Idols ”sob um ponto de vista diferente”?

Acho difícil usarem esse recurso a todo o momento, porque existiriam inúmeras situações impossíveis de ficar levando os babys pra todo o lado, como no exemplo que eu dei acima. De qualquer forma, esse mangá possui uma história com potencial bem interessante. Eu estou bem curioso pra ver como vão conduzir a narrativa de Oshi no Ko, como vão desenvolver os personagens e qual seria o real objetivo/meta que vão dar pra protagonista do mangá. Digo isso porque ela já é uma Idol muito famosa no Japão. O que mais realmente falta pra ela conquistar que nos faria ficar interessados em continuar acompanhando a sua história e suas motivações? Se ela estivesse começando na indústria com certeza seria mais fácil de estabelecer uma conexão de interesse com os leitores.

Outro caminho que o mangá pode seguir pra conduzir a história seria dar um time skip até os gêmeos ficarem um pouco mais velhos, ao menos o suficiente pra tentarem ser Idols, e a história do mangá mostrar ambos tentando vencer na obscura indústria do showbiz. Nas primeiras páginas do capítulo #1 eles mencionam algo do tipo ”como seria crescer filho de uma Idol famosa?”, ”como seria começar uma carreira já conhecendo os atalhos e tendo os contatos do meio?”, o que poderia indicar essa ideia de que o mangá vai, na verdade, acompanhar a história dos gêmeos na indústria de Idols. Talvez mostrando ainda a Hoshino, caso ela esteja viva na história. Conhecendo o histórico de açougueiro do roteirista, Akasaka Aka, não duvido de mais nada vindo dele. Seria mais interessante acompanhar a história dos gêmeos, que possuem memórias da vida passada, do que a da própria Hoshino. Pelo menos pra mim. Teriam mais tempo de explorar os desafios dos dois, além de apresentar com mais calma ambos os personagens, suas motivações e personalidades. Criando uma conexão ao natural com os leitores.

Como o mangá é feito por uma dupla de ótimos autores, podemos, sim, esperar algo positivo mesmo com todos esses ”pés atrás” que citei. A dupla foi tão forte nas frases de efeito no começo de Oshi no Ko, que acabaram criando esse tipo de expectativa em nós, leitores. Se eles vierem com algo mais bobinho ou light, pode ser que alguns acabem não gostando da obra.

Existe muito espaço pra desenvolver uma história interessante com esse mangá e ainda mostrar vários podres da indústria de Idols. Por enquanto o que mais me preocupa mesmo são os personagens. Pelo pouco que li, nenhum deles foi digno de chamar a minha atenção tanto pelo carisma quanto por um backstory instigante. Um amigo meu disse que rola uns plot twists bem interessantes mais pra frente, então pode ser que os autores estejam no caminho certo com o mangá. De todo modo, é sempre legal ver obras um pouco diferentes surgindo, nem que seja apenas um diferente mais simples e não necessariamente inovador. Num mundo em que os isekais reinam e que tudo de Idol que sai é quase sempre aquela mesma desgraça de grupinhos cantando em animes com muito moe e fanservice, ver algo um pouco diferente dentro do gênero é sempre digno de atenção. Vamos ver se essa mangá vai conseguir vingar, espero que sim.

Nos vemos nos próximos posts! o/

facebook_gekkou_gear!!

Curta nossa página no Facebook!

twitter_gekkou_gear!!

Siga-nos no Twitter!

Feed_gekkou_gear

Assine o nosso Feed!

Ask_gekkou_gear

Nos acompanhe no Ask!

To_LOVE

Recruta-se!

hayate2co8pw9

Att, Gekkou Hayate

2 comentários em “Primeiras Impressões: Oshi no Ko

  1. Pingback: Primeiras Impressões: Setsuna Graffiti | Gekkou Gear

  2. Pingback: Primeiras Impressões: Phantom Seer | Gekkou Gear

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s