Estilo da Ohtaka, Sheba e o Comentando de Magi #234 – A rebelião da Al-thamen

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Agora que esse arco já perdeu toda a curiosidade, finalmente se aproxima do fim.

Por motivos pessoais que não valem a serem citados, começando hoje estarei comentando Magi aqui semanalmente. Dito isto, vamos analisar esse arco plágio medíocre e entender o que aconteceu no capítulo.

O arco do flashback narrando a jornada do Salomão e como o pequeno Aladdin veio a existir começou de forma interessante e curiosa. Alguns pontos percebia-se que havia sido pego emprestado das parábolas bíblicas, outros de outras historietas de outras religiões, e por aí vai. Mostrando o tipo de estudo que a autora tá tento, e fazendo toda uma mistura de crenças e culturas para formar algo novo. Porém, ainda é notável a busca de referências deixando resquícios simples como a guerra e a elaboração das traições e revoltas. Porque nesse tipo de história sempre tem que ter um povo rebelde pra causar guerra né, é o ápice das lendas antigas.

De tal forma, o Ás da Ohtaka Shinobu seria vir com o conceito de Rukh e Magis, que eu não me recordo deste último ter sido explicado até então. São os magos com os cetros divinos, aparentemente, mas como eles vieram a tê-los? Sem falar que o Rukh, pft, espiritismo basicamente. De qualquer maneira, gosto de achar esses paralelos e vê que os autores também são pé no chão pra se basearem em coisas já existentes.

Isso também está muito ligado a aparente mensagem que a autora quer passar com o conceito de coisa certa a se fazer, destino, essência global, igualdade racial e outros afins de caráter virtuoso. O mais contundente nisso, é que ficou claro que os rukhs originalmente eram negros, que o deus governante era na verdade ruim, e que as raças foram feitas pra viverem separadas, uma subjugando a outra mais fraca. Até os supostos Magis, eram criaturas para venerar e alimentar o tal Deus que mais tarde, com a vinda do Salomão, se tornou maldito.

Ao menos, olhando pelo lado bom, não há um conflito maniqueísta. Típico da Ohtaka fazer esse tipo de coisa, principalmente com os vilões. Seus antagonistas na maioria das vezes são vilões nobres, sempre com um objetivo maior que justifica os meios. E nesse arco do flashback não está sendo diferente. Ressalto o caso da Sheba, por se parecer com Gyouken, antagonista de todo o mangá e da época atual no mesmo, pessoas cá e lá na internet especulavam sobre a coitada ser a ancestral da principal vilã. Mas isso não foi por menos, o modo como a Ohtaka narrou a história da garota, conseguiu enganar os menos conhecedores de seu estilo. Ela te apresenta uma personagem, mostra o quão boa é a personagem, para logo depois, criar uma corruptela que “converte” a personagem para o lado negro da força. Na maioria dos casos essa conversão acontece derivada de uma hamartía. O personagem já possui um conceito distorcido ou defeito de personalidade, e acaba seguindo indubitavelmente aquele ou se focando neste último. Exemplo disso é o nosso recente anti-herói Hakuryuu.

Por outro lado, no caso da Sheba, ela nos enganou mostrando uma personagem que já tinha um conceito distorcido sobre a vida e que mais tarde este conceito foi novamente distorcido, porém para algo bom, pelo Salomão. Daí acompanhamos a trajetória de “reabilitação” da personagem, em dúvida se ela vai ou não aderir às virtudes que o Salomão lhe apresenta, de vez em quando mostrando teimosia e relutância, mas em seguida se tornando uma personagem carismática, pra no fim ter sido mau aproveitada.

Aqui já estamos no capítulo atual e Sheba e mais alguns definitivamente provaram que eram meras caricaturas para a morte do Salomão e o nascimento de seu mundo. Não diria que todos cumpriram seu propósito, pois o arco ainda não se fechou por si só, além dos plot-holes que falta a serem tampados, mas a saga de Sheba chegou ao fim com ela dando a luz ao Aladdin. Aqui há uma pegadinha da autora que acho interessante relevar na nota.  Arba que foi a primeira serva de Salomão, talvez a mais fiel dentre todos, tornou-se a líder do grupo rebelde que quer deposto o governo de Salomão; Sheba que só foi fazer sua aparição para o grupo de magos muito depois, era a princípio propensa a se opor a sua ideologia, mas acabou se tornando a mais leal aliada e mediadora do então deus Salomão.

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A fiel do novo deus e a do antigo deus. Estava esperando por esse embate.

Reparem na ironia da fala da Arba: “Sheba mudou muito… como as coisas acabaram assim?” De fato a que mais teve transformações nesse arco, transformações pequenas, ideológicas apenas, foi Sheba. Poderia até dizer que tudo o que aconteceu foi uma metáfora para o amadurecimento dela como mãe a fim de conceber o bebê que salvaria o mundo, mas este não é o foco aqui. O problema é que Arba nunca mudou o seu conceito de deus, mesmo quando ela servia a Salomão, ela poderia estar fingindo, sendo falsa, e desde o princípio sendo contra às suas ideologias. Nesta frase dela dá a entender que Sheba está errada por ter se convertido, transformado, passada por diversas mudanças que a tornou quem ela é agora. Mas a verdadeira pecadora é a Arba, que, ironicamente, não mudou em nada no seu modo de pensar, o que tornaria o fato de ela ser a líder da Al-thamen e a ascendente de Ren Gyouken parte de uma trama genial, mas conhecendo a Ohtaka, era uma coisa previsível, ao menos de minha parte.

Em relação ao amadurecimento da Sheba, o destino que David e Salomão dizia nada mais era que este senso de dever que a permite continuar fazendo o que faz, mesmo que ela aparente estar fazendo algo errado ou todos se revoltem contra ela e Salomão, ela quer acreditar que o que Salomão fez acontecer é o certo, independente dos conflitos internos que isso gere.

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Arba diz que foi Salomão quem converteu Sheba, o que é um fato, como disse acima. Mas foi para o lado bom, embora ela use isso como pretexto de ele ser um pecador.

Embora o flashback ainda não tenha terminado, já temos o que esperar sobre o que vem a seguir. Aladdin tem as características mais latentes de seus pais transpostas no seu caráter e aparência, e resta ver como ele vai reagir, se for sua primeira vez vendo isso também, ao tudo o que aconteceu com seus pais. Ou se simplesmente vai aceitar o destino e o senso de dever assim como sua mãe fez. No mais, é certo que terá uma tendência a opor-se a Deus, como todo o mangá também quer nos incitar.

TL;DR – Arco todo transicional, previsível e interessante nas referências. Não deixou de tornar-se chato no fim mas cumpriu para o que veio.

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Por, Kouma

16 comentários em “Estilo da Ohtaka, Sheba e o Comentando de Magi #234 – A rebelião da Al-thamen

  1. Só não entendi uma coisa: por que chamaste o arco de plágio? Em nenhum momento do texto explicou o por que de considerar isto.

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    • Porque em certos pontos a Ohtaka não escondeu de onde pegou as referências, como no conceito do ciclo do Rukh, que é o mesmo conceito de reencarnação do espiritismo. A adoração ao Il Illah e a revelação de um novo deus, ou algo além daquele que pensavam ser o supremo, é a história do povo hebreu no egito. A segregação das raças e a vinda de um messias para unificar todos numa só crença, claramente remete às parábolas bíblicas.

      O próprio Salomão é um personagem bíblico, e ela quis dar uma história para a origem do mundo com um caráter religioso de modo que ficou parecidíssimo com o que a bíblia explica.

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      • A ta, eu tbm tinha ficado curioso sobre isso de plágio.. Mas pode se chamar isso de referência né, até pq Magi faz isso desde o começo. Sinbad é o rei dos 7 mares, Ali Baba se junta a um grupo de ladrões, os gênios saindo dos objetos (alguns eu lembro até mesmo de sair de lâmpadas) dentre outras coisa…

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      • Nesse caso de Sinbad e Alibaba ela apenas pegou os personagens e os adaptou para o contexto de Magi. Veja os Djins, que são 72, também baseados nos 72 espíritos da Goetia, apesar de terem os poderes e suas singularidades em Magi.

        O flashback, por outro lado, não só pega emprestado o personagem Salomão, como também a estrutura do enredo (das parábolas), tornando previsível pra quem conhece as histórias bíblicas e até certo ponto, chato, pois nós ocidentais fomos criados encima de uma crença cristã, gerando um sentimento de repetição, mais do mesmo, além do fato da história ser tão velha que, repetindo, todos conhecem. Para os japoneses que não têm o cristianismo como religião oficial, isso pode ser uma novidade.

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  2. Sei la.. não consigo ver a Arba como uma vilã ….

    Todos seguião o salomão pra deter o pai dele.. por que ele tava “roubando o poder de deus” , so que de certo modos todos eles respeitavam esse deus.
    Ai Salomão vai e mata esse deus deles e ele memso vira deus…. isso não tinha como dar certo…

    fazendo uam comparação aqui :

    vc ta na igreja que vc sempre foi, ai um dia o padre pega da um bicuda em jesus na cruz e poe uma foto do capeta la e fala que vai começar a missa.

    tem como isso da certo ?

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      • Sim. Ficou subentendido que o magoi dele era originalmente negro, e que na verdade estava abastecido de magoi branco, ou rukh puro. E conforme os magos foram usando esse rukh branco, a quantidade de magoi puro foi esvaziando e Il Illah voltando à sua forma original.

        Mas se pensar assim, leva a crer que alguma coisa fez ele ter magoi branco, agora o quê, ficaria à interpretação dos fãs se aderirem a essa hipótese.

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  3. Não sei se é, mas nessa análise senti um pouco de desgosto pela obra por sua parte.
    como assim você vai ficar comentando semanalmente sobre um mangá que você não gosta? (se não gostar mesmo, pois só deu a entender)
    vai me parecer só mais uma análise de haterismo e masoquismo.

    Magi ser baseado em histórias da biblía isso é fato e quem conhece vai notar as semelhanças, eu percebi e nem sequer me incomodo com isso, para mim não é algo chato nem massante por já conhecer as histórias.

    e sobre ”plágio”, você foi infeliz sobre afirmar isso, pois nunca vi ninguém comentando ou achando plágio.
    pegar emprestado fatores e adaptar não é plágio, pois não é uma cópia fiel do original.
    se for assim então a Ryoko Ikeda é uma plageadora já que seu mangá de sucesso ”Rose of Versailles” é baseado na revolução francesa e na vida de Marie Antoinette só que adaptado e com personagens originais participando daquilo tudo.

    o mangá ”Interview with the vampire” conta a mesma estória do filme, só que resumida.
    Junji Ito fez uma adaptação em mangá de ”Frankestein”.
    são adaptações e não plágio ou cópia, há diferenças!

    vários mangakas se baseiam em fatos históricos, religiões e adaptam dentro do contexto de suas obras.
    isso é errado? para mim não.

    enfim, como comentei lá em cima, se for pra ficar analisando só pra criticar mal prefiro nem ler as análises semanais, é só a primeira e última vez comentando aqui.

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    • Camarada, ninguém está lhe obrigando de ler ou não os posts, fica à mercê seu. E independente de leitores ou comentários, não vou parar de fazer os comentandos. Recomendo que pesquise no google: ironia

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      • nem conhecia esse blog (aliás, não leio nenhum), vi um link em um fórum e como sou fã de Magi resolvi ler a análise.só comentei aqui porque achei um pouco ridículo tudo que li rs.
        e independente se os comentários forem negativos ou não, não vai me afetar em nada pois o que importa é o que eu acho da obra e não terceiros sabe-se lá de que buraco saem.

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