Roleta GG – Review: QP

QP_manga

Delinquentes everywhere

A indicação foi do rei dos delinquentes Eru. Agradeço a ele, já que o mangá abriu minha cabeça para um gênero que eu não lia por puro preconceito.

QP, escrito e ilustrado por Hiroshi Takahashi, publicado na revista Young King Ours GH, sendo caracterizado como um mangá seinen, encerrado com 54 capítulos e 8 volumes. Takahashi é muito conhecido por outras obras como Crows e Worst, uma referência para mangás sobre delinquentes. Nunca me interessei tanto pela temática e me surpreendia tanta gente curtir. Mas ao ler QP eu acho que entendi a magia que ronda esse tipo de mangá.

Uma breve sinopse:

É a história de QP (Ishida Kotori), um cara muito forte, que na sua juventude havia se tornado um dos maiores delinquentes de todos. Com intuito de fugir dessa vida e construir um futuro melhor para si, ele começa a trabalhar em um posto de gasolina. Mas o passado é muito mais rápido que o futuro.

Iniciando a review com o que para mim foi o mais interessante de todo o mangá, a narrativa. A história começa no presente onde a vida de Ishida Kotori é contada por meio de lendas que os personagens narram entre si, criando uma imagem um pouco assustadora do protagonista e com certeza intrigante. Quando criamos uma expectativa no personagem o autor puxa a história para o passado e conta tudo na integra.

Conhecendo quem é QP de verdade a história começa a ficar interessante de verdade, pois ele é desmitificado (mas ainda é assustador como todo bom delinquente) e fica esclarecido como ele foi parar onde está e todos os problemas que o cercam agora. Quando a história volta para o presente, se tem um olhar completamente diferente do que está acontecendo. É como se você criasse uma real relação com aquilo tudo, se torna muito mais crível e emocionante.

Isso é uma coisa para se comentar do Takahashi, ele consegue trazer o sentimento de nostalgia com as cenas do passado, como se tivéssemos vivenciado aquilo com os personagens. Então, a volta ao presente se torna perfeita, porque consegue carregar o sentimento necessário para pesar os acontecimentos.

Os dois grandes personagens são o protagonista e o Azuma Ryou, amigo do passado de Kotori, onde os dois trazem a grande pergunta da obra, é possível fugir de seu passado?

De modo geral todos os personagens são muito bons, bem desenvolvidos e cômicos. Outro fator que foi favorecido com a maneira que a história foi contada, já que apresentou uma imagem dos personagens para então desconstruí-las.

Essa desconstrução foi importante para se entender um pouco dos delinquentes japoneses. Eles agem sempre infringindo as regras, para atacar a moral japonesa, buscando espaço onde podem ser eles mesmos e não o que a sociedade impõe. Por isso o visual diferente (cabelos pintados, penteados inusitados, piercings, tatuagens, etc), a fuga das aulas (que podem servir para fumar no telhado e relaxar, ou para arrumar brigas com outros colégios). As brigas em geral acontecem por certas besteiras, mas como eles estão além da moral japonesa, eles resolvem tudo na base da porrada mesmo.

Esse movimento de delinquentes surgiu lá para os anos 60, época onde a contracultura era forte no mundo todo, ou pelo menos em grande parte dele e durou de forma firme até os anos 80, onde saiu dos muros dos colégios e trouxe consigo as gangues de motos que já existiam, mas não em grande quantidade. Essa subcultura de delinquentes influenciou muitas das narrativas japonesas posteriores não só nos mangás como também no cinema com Takashi Miike (que dirigiu dois filmes de Crows) e Takeshi Kitano.

Entretanto, existe um grande problema naqueles que entram nesse mundo, que é quando se conectam com a máfia, aí tudo vai pôr um caminho em que a “filosofia” se perde. O dinheiro, o orgulho e todo o resto começam a falar mais alto. Esse é um dos pontos que essa obra traz e que é muito bem trabalhado.

Espero não ter spoilado demais. Tem tempo que não escrevo reviews assim.

Sobre a arte do mangá, de modo geral, a considero bem limpa, sem muitos cenários, trazendo o foco completamente para os personagens. O que é bem condizente com a ideia da obra. Tem alguns momentos bem silenciosos que são muito bons, acho que o vazio das cenas e o enquadramento traziam uma narrativa prazerosa e forte.

Vale pontuar aqui a habilidade do Takahashi como desenhista, saber contar uma história, passar um sentimento, apenas com o passar dos quadros, sem precisar forçar muito ou ser expositivo demais. Trazendo uma eficácia tremenda a simplicidade. Fazendo valer a força visual que os mangás (quadrinhos em geral) tem.

A movimentação é muito boa, tanto que as cenas de ação são de encher os olhos, já que são bem pé no chão e ainda emocionantes, claro que o QP é um pouco exagerado, mas isso não chega a atrapalhar. Portanto, a arte é competente, nada de mais ou de menos, exatamente no ponto.

Minha única crítica ao mangá foi ao final. Não me pareceu o final mais apropriado. Mas não foi de todo ruim, não foi completamente fora do que já havia sido construído, só foi menos impactante e até diria interessante do que poderia ter sido.

Finalizando, QP é um ótimo mangá tanto para os amantes do gênero de delinquentes quanto para os leigos no assunto, seja pelos personagens ou pela narrativa. Vale muito a pena e me deixou com muita vontade de ler os mangás do Takahashi Hiroshi.

@Edit do Hayate: Esse talvez seja o último post da nossa primeira corrente de reviews. Talvez o gay do Adra poste o que o Teke indicou pra ele agora que tá com o PC arrumado, mas não é certo. Então, como esse pode ser o último post da nossa primeira edição do Roleta, fica aqui o nosso agradecimento a todos por acompanharem os posts da nossa gincaninha. Eu, particularmente, gostei muito de todos os títulos e posts e acredito que todos eles foram excelentes indicações pra gente e pra vocês conhecerem e darem uma conferida. A versão #2 da nossa corrente de reviews já tá certa que vai sair e provavelmente será de filmes em anime! Faremos um post sobre isso mais além explicando direitinho.

Esperamos que tenham gostado e até a próxima!!

Menu – Roleta GG

1. Review: Shiki

2. Review: Ore ga Doutei wo Sutetara Shinu Ken ni Tsuite

3. Review: Welcome to N.H.K

4. Review: Ima Soku ni Iru Boku

5. Review: Annarasumanara

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Por Undead Mars

9 comentários em “Roleta GG – Review: QP

  1. Muito boa a review, se eu tiver algum tempo, talvez eu leia.

    Poxa Gekkou-san, cadê os checklists, TOCs, capas semanais e tudo mais, blog ta paradão… mas mesmo assim ainda entro no site pelo menos umas 3x por dia pra ver se tem conteúdo novo.

    Curtido por 1 pessoa

    • Hahaha, que bom que ainda assim entra sempre aqui! Então, o que posso te garantir é que tudo vai voltar, sim, ao ritmo de antes com os posts e colunas de sempre. O que acontece é que esse ano tá sendo bastante puxado pra mim e ando bastante ocupado. De qualquer forma, pode ficar tranquilo que as coisas vão voltar, mas antes ainda vai sair todos os GG Awards que estão em atraso e o Guia da temporada agora dos animes de outubro. o/

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  2. Nossa, nem tinha ideia de que QP era do mestre Hiroshi! Sou fã desse infeliz e amo Crows! Essa indicação não me surpreendeu em nada vindo do Eru, hahaha. O post ficou mt bom e convidativo a ler o mangá. Em geral é comum ver um certo pré-conceito com obras de delinquentes, mas quando o pessoal pega pra ler/assistir acaba gostando na hora. É quase sempre assim.

    Depois desse post, vou com certeza atrás de QP pra ler. Legal ver tb que o mango foi feito por uma scan br.

    De delinquentes eu te indico o meu amado Crows, mas tem mts outros bons, como Worst, A-bout!, KKOW e GTO.

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